sobre a loja

tinha um armarinho lá na minha cidade, um armarinho minúsculo, entulhado de coisas até o teto, tudo sujo, empoeirado, e mágico, absolutamente mágico. cada caixa velha e suja escondia preciosidades de linhas e botões de cores vivas, num contraste com a embalagem. tudo era surpresa: era preciso abrir cinco, seis caixas até descobrir onde estava o que se queria. até o nome do dono do armarinho era um pouco mágico pra mim, criança: helvídio. nome de bruxo, de mago, de feiticeiro, nome de tudo, menos de comerciante. depois que o helvídio morreu, a família vendeu o armarinho. mudaram a loja pra um lugar maior. agora tudo é novo, branco, prático, higiênico, tudo asceticamente ordenado. ordenadamente sem graça. acabou a magia, acabou a graça, acabou o velhinho muito velhinho dizendo entra, bem. vem procurar aqui o que vc quer. acabou a menina curiosa de olhar guloso passando contente pro outro lado do balcão. agora é minha vez de de abrir as portas de ferro e dizer: entra. vem aqui ver se eu tenho o que vc quer. agora a bruxa, maga, feiticeira sou eu. e desse lugar branco e organizado eu vou fazer uma deliciosa oficina cheia de surpresas. podem esperar.

 

 

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3 comentários sobre “sobre a loja

  1. “agora é minha vez de de abrir as portas de ferro e dizer: entra.”. Convite irrecusável. E se irrecusável é, aceito está. Se a tal da sua cidade é daquelas pititinha do interior, talvez já tenha presenciado a cena — sujeito a cavalo (com ou sem alforje) passa em frente a casa do conhecido debruçado na janela, que vai logo intimando adespois do bastarde: – Apeia, entra pra drento (assim mesmo, revisor!!! rsrs). E lá drento: o cheirim invasor do cafezim sempre acompanhado duma guloseima exalando fumaça olorosa e acabada de sair do forno. Gorintendi causo de q teus amigos ñ querem sair da tua casa. Ah, falando em amigo: miniiiiina, qto tempo, ondé cocê andô esse tempo todo q nunca mais deu as cara, nunca mais mandô nutícia rsrsrs.
    Priscila, agora sério: super parabéns p ela iniciativa. Adorei a cara dos teus alforjes. Puta dum bom gosto. Coisa de quem já flertou com paisagismo — senso estético, apreço pelo belo e funcional. Valeu!!!

    • sim, já quis ser paisagista. era o plano antes da alforjaria chegar. 🙂
      vc falou de amigo, mas de brincadeira, né? num me lembro de outro cassio que não seja um tio meu lá de mairinque.
      que bom que vc gostou, fico feliz! em breve, dá pra ver de perto.

      • Sobre ser amigo: claro q foi brincadeirinha, né Pri (tá vendo, foi brincadeira mas to até me achando, sentindo íntimo, te tratando por Pri, como se de casa fosse). Qto ao seu flerte com o paisagismo, vc disse isso num post. E os vasinhos pendurados nos pedaços de caixas de madeira na parede do quintal denunciam mais bom gosto.
        Voltando aos teus amigos e já que teu forno tá sempre ligado (vê só como li seus posts!), uma receita de bolo de cenoura procê brindá-los — eles não vão mesmo arredar pé da sua casa. Bora então à receitinha da mãma, : Bata no liquidificador: 3 cenouras grandes previamente raladas, 2 xícaras de açúcar, 2 ovos, pitada de sal e 1/2 copo de óleo. Despeje numa bacia e acrescente 3 xícaras de farinha e 1 colher de pó royal. Misture bem. Acomode a massa na assadeira e dá-lhe forno.
        Cara, acompanhado duma xícara de café coado na hora, é daqui, ó (indicador e polegar no lóbulo da orelha). Mesa rodeada de amigos, prosa alegre e descontraída rolando solta, as pontas dos dedos perseguindo as migalhas na toalha xadrez de algodão. E mais um cafezim,mais um naco de bolo. Uau!!!
        Quero ficar sabendo qdo a portona de ferro começar a ser enrolada – cê me avisa? Quero mesmo ver de perto.
        Tudibão Priscila.

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